"Então a cegonha vem e entrega o bebê" Foi essa historinha que te contaram né? Não se sinta acanhado, porque contaram pra mim também e te digo logo, é mentira!
A gestação pode ser o auge da vida de uma mulher, com toda certeza, mas nem tudo são flores.
Os primeiros sinais são cólicas, até aí tudo bem, afinal, nós mulheres já estamos acostumadas com as dores mensais, mas apesar de cada gestação ser diferente, algumas mulheres como eu, somos 'sorteadas' com doses extras de complicações durante esse período.
Estar grávida não é uma doença, mas cá entre nós, oh céus! Como é difícil! As limitações físicas nos últimos meses é uma parte complicada dessa maravilha que é ser gestante. Não podemos pegar peso, ficar muito tempo em pé, estar em um lugar onde não haja um banheiro por perto, e as filas dos bancos então? Alguns minutos ha mais em pé e adivinha só?! O inchaço nas pernas, as câimbras, o formigamento e lá se foi menos uma noite de sono. Aliás, nessa fase final nem sabemos mais o que é dormir.
Odeio olhar nfariaelho e me ver com cara de doente. As olheiras enormes, a barriga maior ainda e os movimentos constantes do bebê justamente na hora em que te dá mais sono.
E depois de nove meses chega então o esperado dia!
A ansiedade de todos, as contrações, ficar imaginando a carinha do bebê, as contrações, as indas e vindas no hospital, mais contrações, o medo do parto, o corpo inchando e o coração batendo mais forte.
Um turbilhão de pensamentos e a vontade de que cada minuto passe logo pra ter o tão esperado bebê no colo.
E assim foram os quatro dias em que fiquei em trabalho de parto e infelizmente não tive dilatação suficiente para que Raul nascesse de parto normal.
Foi feito então uma intervenção cirúrgica. Não senti dor alguma durante o parto e muito menos pude participar. De mãos atadas, pernas imóveis, um pano verde na minha frente e de repente um bebê. Mas isso é assunto pro próximo texto.
E de todos esses temores e dores eu fatia tudo exatamente igual, só pra ter a bênção que é meu filho em minha vida !
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Pra não dizer que eu não falei das dores
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Coitadinha, vai ter um filho sozinha.
Qual o problema que as pessoas tem com mães solteiras?
Não acho que nós, mamães independentes sejamos alvo de dó ou pena do julgamento cruel e sem fundamento de algumas pessoas.
Em primeiro lugar, ser mãe é algo maravilhoso e não é porque o pai aborta que temos que abortar também. É sempre a mesma e velha desculpa, eu não estou preparado, ora bolas, nem nós mamães estávamos! Mas a cada dia o amor nos capacita! Cada movimento que o bebê dá dentro de nós aumenta consideravelmente nossa força e vontade de a cada dia sermos melhores, por eles!
Que triste a vida de um pai que não tem contato com seu filho, que triste a vida de um homem que teve um pedaço seu gerado e deixou isso de lado. Que triste a vida de um pai que nunca sentiu o bebê dar os primeiros chutes dentro da barriga da mamãe. Que triste a vida de um homem é, que nunca ouviu o coração do seu filho batendo, ali, dentro da mamãe. Que triste a vida de um pai que não estava lá quando a mamãe comprou a primeira roupinha, o primeiro sapatinho, não ajudou a escolher o berço, não passou horas esperando a próxima ultrasson para ver o rostinho e escutar o coraçãozinho daquele bebê que nada tem culpa. E a mamãe solteira? Ela teve todas essas felicidades e não precisou dele em nenhum momento.
Sabe aquela velha história? Que tem tá ali do lado de fora sempre enche a boca pra falar : "na hora de fazer foi bom né". Nunca ouvi maior hipocrisia do que esta. Você não estava lá, não sabe o aconteceu e em que circunstancias esse bebê foi gerado. Sexo e gravidez são coisas diferentes, apesar de consequentes. Por experiência própria posso lhe afimar, acontece! Eu fazia uso continuo de anticoncepcionais e mesmo assim aconteceu. Então foi um acidente? Acidente? Como posso chamar a razão pela qual eu vou viver o resto da minha vida de acidente? Ora bolas, Meu filho foi um presente, não um acidente!
Ser mãe é diferente de ser pai. Mãe é quem alimenta, quem protege, quem vai ser uma só pro resto da vida. Mãe é porto seguro, é amor incondicional.
Que triste a vida do homem que acho que um filho é um boleto. Pagar pensão é fácil, difícil mesmo é ser pai.
E eu, desde que tenho um filho, ando com a carteira mais vazia, a casa mais bagunçada, o tempo mais escasso, mas o coração, o coração anda transbordando de amor. Meu filho me basta e tenho tanto orgulho em ser o suficiente para ele também. Não sou mãe solteira, sou mãe!
Não acho que nós, mamães independentes sejamos alvo de dó ou pena do julgamento cruel e sem fundamento de algumas pessoas.
Em primeiro lugar, ser mãe é algo maravilhoso e não é porque o pai aborta que temos que abortar também. É sempre a mesma e velha desculpa, eu não estou preparado, ora bolas, nem nós mamães estávamos! Mas a cada dia o amor nos capacita! Cada movimento que o bebê dá dentro de nós aumenta consideravelmente nossa força e vontade de a cada dia sermos melhores, por eles!
Que triste a vida de um pai que não tem contato com seu filho, que triste a vida de um homem que teve um pedaço seu gerado e deixou isso de lado. Que triste a vida de um pai que nunca sentiu o bebê dar os primeiros chutes dentro da barriga da mamãe. Que triste a vida de um homem é, que nunca ouviu o coração do seu filho batendo, ali, dentro da mamãe. Que triste a vida de um pai que não estava lá quando a mamãe comprou a primeira roupinha, o primeiro sapatinho, não ajudou a escolher o berço, não passou horas esperando a próxima ultrasson para ver o rostinho e escutar o coraçãozinho daquele bebê que nada tem culpa. E a mamãe solteira? Ela teve todas essas felicidades e não precisou dele em nenhum momento.
Sabe aquela velha história? Que tem tá ali do lado de fora sempre enche a boca pra falar : "na hora de fazer foi bom né". Nunca ouvi maior hipocrisia do que esta. Você não estava lá, não sabe o aconteceu e em que circunstancias esse bebê foi gerado. Sexo e gravidez são coisas diferentes, apesar de consequentes. Por experiência própria posso lhe afimar, acontece! Eu fazia uso continuo de anticoncepcionais e mesmo assim aconteceu. Então foi um acidente? Acidente? Como posso chamar a razão pela qual eu vou viver o resto da minha vida de acidente? Ora bolas, Meu filho foi um presente, não um acidente!
Ser mãe é diferente de ser pai. Mãe é quem alimenta, quem protege, quem vai ser uma só pro resto da vida. Mãe é porto seguro, é amor incondicional.
Que triste a vida do homem que acho que um filho é um boleto. Pagar pensão é fácil, difícil mesmo é ser pai.
E eu, desde que tenho um filho, ando com a carteira mais vazia, a casa mais bagunçada, o tempo mais escasso, mas o coração, o coração anda transbordando de amor. Meu filho me basta e tenho tanto orgulho em ser o suficiente para ele também. Não sou mãe solteira, sou mãe!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Ele nem chegou e me mostrou que sou capaz de ir muito mais além do que já fui.
Abriu meus olhos, meu coração, minha casa. Plantou alegria e brotou esperança e muito amor. Ainda nem vi seu rosto e é a coisa mais linda do meu mundo! Ele é mais que um poema, mais que o valor do leite Nan, mais até do que meu ego. Eu nunca amei ninguém assim. Me fez ser mais por ele e por mim. Mudou minha forma de pensar, meu endereço, meu corpo e meu coração. Cada movimento dele dentro de mim só me anseia sua chegada.
Raul meu filho, minha vida. Meu.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Eu escolho você!
Me veio à lembrança hoje o dia que entrei naquela farmácia e comprei o teste de gravidez. O caminho de volta pra casa, passo por passo e cada degrau de escada que eu subi pensando o que aconteceria se o resultado fosse positivo.
Eu tinha 21 anos e muita sede de vida. Estava começando no emprego novo, mal tinha um comprovante de residência, primeiro ano de faculdade, muitos amigos de bar e uma cidade enorme ainda pra eu descobrir.
Pensei muito no meu pai, de como ele foi o melhor pai do mundo quando eu era criança e de como eu não sabia nem seu paradeiro nos dias atuais, pensei na minha mãe e na decepção que seria para ela ter uma filha mãe solteira, pensei nos olhares duros e críticos dos familiares (já que como família, nunca senti que gostassem de mim) e pensei na minha capacidade de ser mãe, até então, nenhuma; eu mal cuidava direito de mim.
Lembro de abrir a porta de vagar, olhar o apartamento vazio, abrir a janela, pegar a bula do teste e correr para o banheiro. 27 segundos depois estava ali, as duas linhas que mudariam todo planejamento de vida que eu tinha imaginado até então.
O coração bateu forte, bem forte, as mãos tremularam, a cabeça ficou zonza e o desespero bateu. E como eu chorei! Lembro de ter corrido pra sala, enfiado a cara em uma almofada e gritado, gritado, gritado até a palpitação parar e eu não ter mais lágrimas para chorar.
Em seguida fui fazer o exame de sangue para confirmar. Engraçado como eu queria tanto que o resultado fosse negativo que eu sentia que a força do meu pensamento pudesse mudar alguma coisa.
Quanta ingenuidade!
No dia seguinte depois de alguns minutos de sono, lembro que foi impossível dormir, tomei um banho gelado, fui trabalhar. Fiz tudo errado. Não conseguia parar de pensar na possibilidade daquilo estar errado, afinal de contas, minha vida já era ruim o suficiente para aquilo estar acontecendo comigo. Tomei uma decisão. Iria abortar!
Eu não queria aquilo, aquela coisa, aquele ser dentro de mim me sugando e sugando todas as noites de diversão da minha vida. Nunca quis mesmo ter filho, não vai ser agora por acidente que terei.
A noite passou, o trabalho chegou ao fim e a volta pra casa foi tranquila, afinal, já estava decidido. eu não iria ter aquele bebê.
Subi correndo as escadas e peguei o exame de sangue, positivo, claro. Ja fui logo procurando meios para resolver aquele probleminha.
Passou uma semana. O trabalho já não ia bem afinal, impossível concentrar em alguma coisa com um 'alien' crescendo dentro da minha barriga. Eu odiava aquela sensação. Então eu que achava que a força do pensamento poderia mandar em alguma coisa comecei a sangrar interruptamente. No hospital me disseram que havia sido aborto expontaneo. Que ótimo, nem dinheiro iria gastar com isso. Tudo certo, vida que segue.
Duas semanas depois de contínuos enjoos e sensações ruins fiz a primeira ultrasson para até então fazer a curetagem e adivinhem quem estava lá? Com o coração batendo mais forte e ritmado do que o meu. Aquela primeira sensação de desespero estava de volta e o choro misturou raiva, medo e um sentimento fraterno que eu não consegui explicar. Eu apenas me senti capaz e tinha certeza que seria capaz de enfrentar qualquer muralha que atravessasse meu caminho. E ainda bem que quando olhei pro lado, eu não estava assim tão sozinha.
As duvidas então tomaram conta novamente e único som que eu ouvia eram as batidas daquele coraçãozinho. Era meu, todo meu, alguém que eu pudesse preencher todo o vazio que sempre andou dentro de mim. Eu iria ser mãe! Mesmo sem entender nem estar preparada para isso, só sabia que era capaz por mim e por ele. Senti vida dentro de mim! Era mais forte que meu medo, mais forte que os olhares, os comentários, os risos maldosos e torcida para que dessem tudo errado só pra dizerem um simples, "Eu avisei!"
Como as pessoas podem ser tão maldosas! Como julgar é tão fácil. Ser mãe solteira não é vergonha, é orgulho e capacidade, é amor acima de qualquer status ou julgamento da mente doentia e maldosa humana. É batalhar com raça e vontade e ter força o suficiente. Apenas depender de um sorriso da pessoa mais linda que poderia ter entrado na minha vida, o meu filho, a minha vidinha, o meu amor incondicional. Eu então escolhi ser mãe!
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